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Sherlock Holmes: A Game of Shadows (2011), de Guy Ritchie

Depois de longas noites de reflexão e extensos debates online e offline, posso afirmar, com moderada certeza, que sei qual é o principal problema de Sherlock Holmes: A Game of Shadows (ou Sherlock Holmes 2 para os mais preguiçosos). Mas já lá vamos.

 

Comecemos pelo início. Depois de desvendar o mistério por detrás de Lord Blackwood, Sherlock Holmes enfrenta agora o seu maior desafio... ou melhor, os seus maiores desafios. Para além de medir forças com o temível Professor Moriarty (que trocou as sombras do primeiro filme pelo lugar de vilão principal), tem ainda de enfrentar a inevitabilidade em que se tornou o casamento do seu inseparável colega, John Watson. A química entre Law e Downey Jr. continua a ser um dos grandes atrativos do filme, e neste segundo capítulo mantém o nível a que nos tinha habituado.

 

O estilo de Guy Ritchie também não é muito diferente daquilo que nos mostrou em 2009. Mantém-se frenético e cativante, graças a um apurado estudo de mercado que o levou a usar, e por vezes abusar, do mecanismo narrativo mais interessante do primeiro filme - o cálculo mental de Holmes. Já o vilão, apesar de não ter por detrás um ator com o peso de Downey Jr. (ou talvez por isso mesmo), consegue convencer-nos que Moriarty não está para brincadeiras (e aqueles 20 minutos finais são magníficos).

 

Mas então, o que poderá ter falhado? Noomi Rapace (a Lisbeth Salander dos Millennium originais) é mal aproveitada, é certo, mas não é esse o seu maior problema.

 

O grande problema de Sherlock Holmes: A Game of Shadows está sobretudo na ausência de uma mistério suficientemente forte para sustentar a narrativa. O argumento preocupou-se tanto em estabelecer empatia com o público que se esqueceu de alimentar os protagonistas com um arco narrativo coeso. Pegando no exemplo do primeiro filme: havia o mistério inicial - um homem que conseguiu sobreviver à própria morte - e a partir daí foram-se construindo pequenos mistérios. Em A Game Of Shadows não há nada disso. O argumento limita-se a ir em velocidade cruzeiro até ao seu desfecho.

 

Obviamente que isso não põe em causa os méritos da reinvenção de Guy Ritchie (o filme continua a ser uma excelente pipoca) mas acaba por deixar no ar uma sensação de oportunidade perdida.

 

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