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CINEBLOG

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Curtas XI - "The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore"

2011 foi, indubitavelmente, um mau ano para a Pixar. Para além de ter falhado a nomeação para o Óscar de Melhor Filme - para ser sincero, acho que a Pixar tirou propositadamente um ano de sabática para agradar ao departamento de marketing - também acabou por perder na categoria de Melhor Curta-Metragem Animado, onde estava representada por Luna.

O responsável pelo feito foi "The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore", uma curta-metragem/eBook animado criado William Joyce, curiosamente também ele um ex-Pixar, que pode ser vista online aqui.

Num ano em que o cinema resolveu elogiar-se a si próprio, também é bom não esquecermos os livros. Afinal de contas, uma percentagem considerável dos nomeados para Melhor Filme foram baseados em livros.

Óscares 2012 - O cinema a gostar dele próprio numa noite a preto e branco

É mesmo verdade: depois de tantos anos de experiências falhadas, a Academia voltou a acertar em cheio no host. Billy Cristal - que até nem foi a primeira escolha - lá acabou por ser o anfitrião e um dos pontos mais altos de uma noite fraca em surpresas e morna em espetáculo.

O duelo foi o esperado: de um lado o cinema mudo de The Artist, do outro o 3D multi-milionário com toque clássico de Hugo. Fosse qual fosse o resultado, as tendências onanistas do cinema prometiam dominar a gala.

Como já se esperava, Hugo começou a noite a arrasar nas categorias técnicas (Fotografia, Direção Artística, Mistura de Som, Edição de Som e Efeitos Visuais) mas ficou-se por aí. Com os Óscares de Melhor Realizador, Melhor Ator (para o fantástico Jean Dujardin) e, claro, Melhor Filme (para além de Melhor Guarda-Roupa e Melhor Banda Sonora), The Artist acabou mesmo por fazer os seus 5 Óscares brilharem mais alto e assumiu-se como o grande vencedor da noite (e seria injusto se assim não fosse).

Meryl Streep foi, como esperado, a Melhor Atriz do ano (desde 1983 que tal não acontecia) e nos atores secundários também não houve surpresas. Christopher Plummer fez história ao tornar-se no ator mais velho a ganhar um Óscar (82 anos, ou seja, menos 2 do que o próprio Óscar) e Octavia Spencer levou para casa o único Óscar da noite para The Help.

Naquelas que foram as categorias mais discutíveis do ano, The Descendants saiu da sala com o Óscar de Melhor Argumento Adaptado e Midnight in Paris levou para casa o prémio para o Melhor Argumento Original.

Na animação - e sem a Pixar a competir - o Óscar foi, mais uma vez sem surpresas, para Rango. Já o filme Iraniano A Separation foi considerado o Melhor Filme Estrangeiro.

 

Pelo meio tivemos um excelente Robert Downey Jr. em modo documentarista, um Nick Nolte em versão Terminator Santa, uns Marretas sempre em grande e até... circo.

 

Para o ano há mais. 

 

P.S. E caso se estejam a perguntar pelo Dictator, sim, ainda a Gala não tinha começado e já o Sacha Baron Cohen tinha sido expulso.

Oscars 2012 - Vencedores

TOP 3:

 

Hugo: 5

The Artist: 5

The Iron Lady: 2

 

***

 

Melhor Fotografia: Hugo - Robert Richardson

Melhor Direção Artística:  Hugo - Dante Ferretti e Francesca Lo Schiavo 

Melhor Guarda-Roupa: The Artist - Mark Bridges

Melhor Caracterização: The Iron Lady- Mark Coulier e J. Roy Helland

Melhor Filme Estrangeiro: A Separation - Asghar Farhadi

Melhor Atriz Secundária: Octavia Spencer - The Help

Melhor Montagem: The Girl with the Dragon Tattoo - Kirk Baxter e Angus Wall

Melhor Edição de Som: Hugo - Philip Stockton e Eugene Gearty

Melhor Mistura de Som: Hugo - Tom Fleischman e John Midgley

Melhor Documentário (longa-metragem): Undefeated - TJ Martin, Dan Lindsay e Rich Middlemas

Melhor Filme Animado: Rango - Gore Verbinski

Melhores Efeitos Visuais: Hugo - Rob Legato, Joss Williams, Ben Grossmann e Alex Henning

Melhor Ator Secundário: Christopher Plummer - Beginners

Melhor Banda Sonora: The Artist - Ludovic Bource

Melhor Canção: "Man or Muppet" - The Muppets - Música e letra de Bret McKenzie

Melhor Argumento Adaptado: The Descendants - Argumento de Alexander Payne e Nat Faxon e Jim Rash

Melhor Argumento Original: Midnight in Paris - escrito por Woody Allen

Melhor Curta-Metragem (imagem real): The Shore - Terry George e Oorlagh George

Melhor Documentário (curta-metragem): Saving Face - Daniel Junge and Sharmeen Obaid-Chinoy

Melhor Curta-Metragem (animação): The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore - William Joyce e Brandon Oldenburg

Melhor Realizador: The Artist - Michel Hazanavicius

Melhor Ator: Jean Dujardin - The Artist

Melhor Atriz: Meryl Streep - The Iron Lady

Melhor Filme: The Artist


War Horse (2011), de Steven Spielberg

Há décadas que Steven Spielberg é atormentado por um fantasma que insiste em lhe roubar o mérito e a credibilidade. Por muito que tente escapar - e na década de 2000 assistimos a um outro Spielberg, mais sóbrio, menos emocional - recai nos seus ombros a responsabilidade de ter criado essa entidade negra que atormenta os críticos de cinema um pouco por todo o mundo: o infame blockbuster.

No entanto, o que muitos parecem esquecer é que o Spielberg não pertence, nem nunca pertencerá ao lote de descartáveis como Michael Bay ou Brett Ratner. O cinema de Spielberg consegue mover multidões, é certo, mas fá-lo com uma pujança emocional e um domínio exemplar da linguagem cinematográfica que, mesmo que se notem a léguas os mecanismos que utiliza para nos manipular - a música que entra naquele momento tão oportuno, ou aquela câmara que teima em fazer um zoom direto à alma dos protagonistas - não conseguimos evitar mergulhar de cabeça no seu universo de emoções.

War Horse é isso mesmo: uma viagem a um universo recheado de personagens e emoções, por vezes cómicas, por vezes cruéis, exemplarmente colocadas em cena pelo realizador. Desta vez Spielberg trocou as praias e os campos de concentração da Segunda Guerra Mundial, pelas trincheiras da Primeira Guerra, usando um cavalo como fio condutor das várias estórias cruzadas. Para ajudar a recriar a beleza dos cenários rurais do interior da França do início do século XX, o realizador contou com a ajuda preciosa de Janusz Kaminski, o seu diretor de fotografia de estimação, que tornou este épico hípico num dos exercícios visuais mais bem conseguidos do ano.

Não é um filme de atores - a estrutura episódica do argumento não o permite - mas está recheado de secundários de luxo que acrescentam solidez e coesão a uma narrativa com algumas debilidades estruturais.

Bem sei que a lamechice já não está na moda. Mas eu, infelizmente, como lamechas incurável que sou, não posso deixar de recomendar este regresso de Spielberg aos velhos tempos - afinal de contas este homem é um dos grandes responsáveis pelas fortes doses de magia que pautaram a minha infância.

****

"Filme a designar"

Há muitos muitos anos, numa galáxia distante, a estreia de um filme na televisão era um acontecimento e peras. Os anúncios podiam durar semanas, a antecipação chegava a parar o país e as revistas não falavam de outra coisa (até existiam secções onde podíamos recortar as etiquetas das estreias da semana para colar nas VHSs).

 

Nessa altura, antes de todas as grelhas de programação serem invadidas pelos "filmes a designar", existiam rubricas de cinema: coisas como Lotação Esgotada, Cinema da Meia-Noite, Maiores de 17 ou Chiado Terrasse.

 

Ao que a parece a SIC resolveu ressuscitar essa tradição. Claro que nos dias que correm quando um filme chega à televisão já ninguém se importa. Mas ao menos que os tratem com alguma dignidade. Que sejam mais do que um tapa buracos, por exemplo.

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