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CINEBLOG

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Hugo (2011), de Martin Scorsese

Se é verdade que à primeira vista o The Artist e o Hugo não poderiam ser mais diferentes - o primeiro é um filme mudo, a preto e branco, reproduzido em 4/3 e o segundo é um portento tecnológico, filmado com câmaras caríssimas e recheado de CGI - também não deixa de ser verdade que ambos partilham a mesma essência: uma alma recheada de amor pelo cinema.

Baseado num conto infantil do norte-americano Brian Selznick, Hugo conta-nos a história de Hugo Cabret, um orfão obcecado por descobrir o que se esconde por detrás de um misterioso autómato avariado. A sua curiosidade vai levá-lo até um não menos misterioso vendedor de brinquedos que esconde um passado ilustre no mundo do cinema (não, não vou dizer quem é. Se o trailer não quer falar disso, quem sou eu para o fazer?).

Hugo não é um épico de fantasia, à la Harry Potter. Tem magia, é certo, mas é uma magia genuína: uma espécie de meta magia que se encontra na própria essência do cinema (lembram-se da Amélie? A ideia é a mesma, mas em 3D e sem o Yann Tiersen).

Martin Scorsese esqueceu, por momentos, a sua paixão pela violência extrema e forjou 2 horas de puro storytelling sobre a memória e o património cinematográfico (uma causa defendida publicamente pelo próprio) que pode ser apreciada por toda a família (ok, admito que pode ser um problema quando os petizes quiserem conhecer a filmografia do realizador e os pais lhes tiverem que explicar o que é o Taxi Driver ou o Raging Bull, mas isso é outra história).

Não é perfeito, é certo - apesar de ser tecnicamente irrepreensível, a narrativa é demasiado linear, tem uma série de arcos narrativos secundários que mereciam um maior destaque, e quem entra na sala do cinema com o trailer em mente corre o risco de ficar desiludido. No entanto é incrivelmente genuíno, o que para uma produção milionária deste calibre é dizer muito.

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Blogue a 24fps que não necessita de óculos 3D. Online desde 2003.

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