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Prometheus (2012), de Ridley Scott

Prometheus não é apenas o regresso de Ridley Scott ao universo Alien. É o regresso do mestre a um género que o colocou na panteão dos geeks mais poderosos de Hollywood. Mas será que o bom e velho Scott ainda tem jeito para a coisa?

 

Depois de todos os disparates que foram feitos com o Alien (dos últimos capítulos da quadrilogia aos execráveis Alien vs. Predator), seria preciso uma abordagem radicalmente diferente para devolver alguma credibilidade a um dos personagens mais satirizados da sétima arte. Scott percebeu isso e, ao invés de regressar assumidamente ao franchise, resolveu criar uma prequela que afinal de contas não é bem uma prequela.

 

Apesar de estar ambientado no universo do filme de 1979 (as referências estão lá e são inegáveis), Prometheus trocou o xenomorfo por uma série de questões existenciais e filosóficas que, apesar de não serem novidade no género, dão uma agradável profundidade narrativa a um mundo até agora estanque (não me vou alongar muito neste aspeto porque é fácil minar a experiência de quem ainda não viu o filme).

 

No entanto essa profundidade não é suficiente para esconder a falta de ideias de um argumento recheado de personagens genéricas e situações previsíveis. A tensão, um dos pontos essenciais do Alien original, raramente dá o ar da sua graça (a exceção mais interessante é uma "cirurgia" especialmente bem conseguida), e o visual excessivamente esterilizado acaba por torná-lo num produto inorgânico e sem alma.

 

Curiosamente, o ponto mais interessante do filme é também ele inorgânico e sem alma. David, o andróide enigmático e inquietante interpretado por Michael Fassbender, acaba por roubar facilmente o filme. Se as restantes personagens tivessem um terço do desenvolvimento de David, a experiência seria muito mais satisfatória (e ainda estou para perceber porque raio é que escolheram o Guy Pearce e não alguém mais velho. Poupavam na maquilhagem e o resultado final seria certamente mais credível)

 

Prometheus não é um filme especialmente mau. É apenas mais um dos rebentos de uma geração de blockbusters genéricos visualmente fantásticos mas muito pouco corajosos à hora de subverter os mecanismos da linguagem cinematográfica.

 

Mais do mesmo, portanto.

 

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