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Crítica: "Deadpool" (2016), de Tim Miller

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"Deadpool" é tudo o que todos gostaríamos de ter sido em determinado momento das nossas vidas. Tem pinta, é irreverente e um nadinha (quase nada!) perverso. Não é portanto de estranhar o sucesso estrondoso que tem alcançado mundialmente.

Neste segunda aparição no cinema (vamos esquecer o "X-Men Origins: Wolverine", ok?), "Deadpool" abraça finalmente a essência do livros de banda-desenhada que o trouxeram ao mundo e não hesita em exibir despudoradamente uma dose cavalar de ultra-violência auto-consciente, complementada pelos constantes jogos narrativo com o espetador.

Os fãs agradecem e os que até agora desconheciam o personagem tem aqui a oportunidade perfeita para saírem da ignorância. No entanto, a grande virtude de "Deadpool" é trazer até ao mainstream a ideia de que o universo dos super-heróis pode ser muito mais criativo e maleável do que aquilo que a Marvel e a DC nos têm feito acreditar nos últimos anos.

Talvez por isso, e por acreditar no potencial quase ilimitado do personagem, não consiga esconder esta terrível frustração que me assola o espírito desde o momento em que meti um pé fora da sala de cinema.

Bem feitas as contas, e passado o momento "wow" inicial, "Deadpool" é um filme bastante limitado. O vilão é fraquito, a resolução do enredo é previsível e o humor +18 acaba por perder a irreverência e cair na banalidade a partir de certo ponto. Podia-se argumentar que é uma paródia/desconstrução dos filmes de super-heróis e que a utilização dos clichés é propositada. Sim, em muitas partes o argumento é auto-consciente das suas falhas e chega mesmo a denunciar algumas (a falta de orçamento para contratar outros X-Men, por exemplo). Mas esse parece-me ser mais um caso de damage control ao estilo de "vou gozar comigo antes que os outros o façam", do que uma solução realmente criativa.

"Deadpool" critica convenções sem apresentar alternativas e arrasa soluções que acaba por adoptar envergonhadamente. Infelizmente estamos muito longe da paródia de género de um "Last Action Hero" ou até mesmo de um "Kick Ass".

Para além do estilo inusitado (que nos deixa inegavelmente bem dispostos), o mais interessante de "Deadpool" acaba mesmo por ser a tal história de amor pouco convencional promovida nos trailers de São Valentim (a química entre o Wade e a Vanessa funciona na perfeição) e a revelação de que Ryan Reynolds, um indíviduo que até agora considerava ter o carisma de um tijolo desbotado, é afinal um tipo com bastante piada.

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