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Crítica: "Suicide Squad" (2016), de David Ayer

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"Num sistema hierárquico, todo funcionário tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência". Esta frase, conhecida como Princípio de Peter ou Princípio da Incompetência, e que foi enunciada nos idos anos 60 do século passado por um indivíduo chamado Laurence Peter, pode ser utilizada para explicar o grande problema de "Suicide Squad", um filme cujo maior pecado foi ver-se promovido a um patamar de exigência para o qual não tinha competências.

Não é que o mais recente filme do Universo Cinematográfico da DC (DCCU) seja horrível (porque não o é). "Suicide Squad" é sobretudo insatisfatório. Isso deve-se em grande parte às expetativas completamente irrealistas que lhe foram sendo atribuídas ao longo dos últimos meses, muitas delas quando já se encontrava na sala de edição. Para além de se ver obrigado a ser o salvador do DCCU  (depois da má receção de "Batman v Superman"), tinha ainda de ser a resposta da DC ao "Guardians of the Galaxy" ao mesmo tempo que piscava o olho ao "Deadpool". O resultado? Um produto finalizado em cima do joelho, sem unidade, com demasiados problemas de edição e um ritmo bipolar (há uma cena num bar, algures no meio do segundo terço, onde a falta de timing se torna particularmente evidente).

Graças à incompetência do sistema de produção, um filme que tinha tudo para ser uma experiência única, tornou-se num ensaio sobre a frustração: é frustrante porque vemos uma hierarquia a ser definida pela dimensão dos atores e não por personagens (sem desprimor para a Margot Robbie ou para o Jared Leto, mas trocava toda aquela trapalhada com o Joker por mais tempo de ecrã para o El Diablo.). É frustrante porque precisamos de mais tempo para desenvolver os protagonistas e vemos tempo extra a ser usado para introduzir personagens cujo único objetivo é satisfazer a necessidade de fan service. É frustante porque vemos um talentoso David Ayer de mãos atadas a defender irrepreensivelmente um produto problemático pelo qual nem é o maior responsável. E é sobretudo frustante porque apesar de tudo isto consegui divertir-me a ver o raio do filme.

Há tantas indícios de coisas boas a acontecer (a equipa tem química, a amostra de alguma backstory é apelativa, a caracterização da Amanda Waller é intrigante, algumas opções estéticas funcionam de forma irrepreensível) que não podemos deixar de pensar no que poderia ter sido se as coisas tivessem corrido de maneira diferente.

***

Trailer da versão remasterizada de "Showgirls". 21 anos depois, parece que afinal é bom.

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Aqui fica um pequeno dilema para vos ajudar a ignorar aquela família de 23 elementos que está ao vosso lado na praia, e que insiste em ouvir a discografia do Tony Carreira com o volume no máximo:

Preferem fazer um filme que seja o maior sucesso de bilheteira de sempre, faturando numa semana aquilo que a maior parte dos filmes nunca conseguem faturar, mas do qual ninguém se vai lembrar um ano depois (*cof* "Avatar" *cof*); ou realizar um fracaso de bilheteira arrasado pela crítica, que quase acaba com as vossas carreiras, mas que 21 anos depois se vai transformar num filme de culto, com direito a relançamento nos cinemas, e com dezenas de críticos a revisitá-lo e a interpretá-lo de forma diferente?

Eu escolheria a primeira opção como é óbvio, mas não deixa de ser curioso o que está a acontecer com o "Showgirls" do Paul Verhoeven. Passado mais de duas décadas, há uma série de estudiosos do cinema que dedicaram textos, ensaios e inclusivé livros (como este, do Adam Nayman), a provar que o filme mais odiado e criticado de 1995 (e que foi o último prego no caixão da mítica Carolco Pictures) é na realidade... bom.

A Pathé, aproveitando esta surpreendente onda de amor por aquela que era, até há pouco, uma das maiores vergonhas do seu portfólio, resolveu relançar uma versão remasterizada de "Showgirls" nos cinema franceses.

O trailer já anda por aí e o filme chega aos cinemas gauleses a 14 de setembro.

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