"Sim, adormeci em cima do prato das panquecas!"
Fazer terror é complicado. É difícil surpreender num género que parece ter ficado estagnado no tempo. Basicamente existem duas abordagens: ou se opta pela abordagem A, que consiste em chocar as audiências mostrando tudo o que há para mostrar (abordagem muito na moda no terror contemporâneo made in USA), ou então utiliza-se a abordagem B, que passa por mostrar o menos possível criando um ambiente lento e pesado que se arrasta com espasmos pontuais que pretendem levar o espectador saltar na sua cadeira.
Depois de optar por uma destas abordagens e só tentar conjugá-las com os clichés dos quais o género parece não conseguir fugir (casas assombradas, velhinhas assustadores, fenómenos paranormais, psicopatas assassinos, crianças estranhas, criaturas monstruosas).
Este "El Orfanato" é um digno representante da abordagem B, com Juan Antonio Bayona a mostrar que domina a arte de criar uma atmosfera sólida e assustadora, com um ritmo agradável (é fácil aborrecer quando se opta por esta abordagem) e psicologicamente intenso.
Texto publicado na íntegra aqui.