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The Dark Knight Rises (2012), de Christopher Nolan

por JBM, Terça-feira, 07.08.12

E pronto... acabou. O trabalho que Chris Nolan começou em 2005 acabou no momento em que os créditos finais do The Dark Knight Rises começaram a rolar (no universo Batman do Nolan não há espaço para surpresas depois dos créditos).

A trilogia que redefiniu para sempre a forma como os super-heróis poderiam ser adaptados ao grande ecrã - colocando-os na lista dos melhores filmes do ano sem que isso impedisse as enchentes nas binheteiras - chegou ao fim. Os anos de antecipação, as toneladas de posters e de marketing viral, as entrevistas, as teorias... tudo acabou. Este deveria ser o ponto mais alto da trilogia. O momento que todos esperávamos. O culminar de uma era gloriosa.

Então por que é que não saí da sala de cinema com aquela sensação de ter visto um grande filme? Por que é que fico desconfortável quando me perguntam o que achei do filme, como se tivesse vergonha de admitir que afinal... não é assim nada de especial?

No início (a primeira noite foi difícil) ainda tentei transformar alguns dos defeitos do The Dark Knight Rises em virtudes. Ainda tentei contra-argumentar com o meu cérebro, para minimizar os efeitos de uma desilusão descomunal. As linhas que se seguem foi o melhor que consegui fazer.

O tom geral do filme é irrepreensível. As ideias que Nolan trouxe para os dois filmes anteriores - a lealdade aos ideais, os perigos tanto do caos como da ordem, o poder dos símbolos - continuam lá. Os apontamentos humorísticos subtis e o ritmo sóbrio continuam intactos. A paixão de Nolan pela mitologia do Homem Morcego é mais do que evidente. Eu até gostei da voz do Bane (as inflexões à vilão do James Bond contrastam de forma exemplar com a aparência pétrea do personagem). Mas desta vez há demasiadas arestas por limar que acabam por minar a experiência do espetador mais dedicado.

Há personagens que desaparecem e aparecem só para dar um jeitinho ao argumento, há estórias mal contadas, há lógicas questionáveis, há demasiadas elipses e, acima de tudo, há um twist completamente questionável que acaba por tirar a força a um personagem até esse momento essencial na narrativa.

Ao contrário do que aconteceu em The Dark Knight, onde pouco ou nada se sabia do passado do vilão, Nolan encheu este último filme com explicações desnecessárias. São histórias e sub-histórias complexas cheias de reviravoltas que nada acrescentam à experiência final. Cada ação é imeditamente acompanhada pela sua explicação, não deixando espaço ao subtexto (veja-se o caso paradigmático da Catwoman : aquela que é indiscutívelmente uma das melhores personagens do filme, é também aquela da qual menos sabemos).

Por outro lado, a estrutura desde último filme é mais desajeitada do que nunca. Parece que Nolan se dedicou exclusivamente a criar capítulos, nigligenciando aquilo que acontece entre eles, não sei se por causa da edição ou do próprio argumento.

A sensação global é a de que aquilo que acabou por chegar aos cinemas é uma versão curta e apressada de algo maior e mais longo que, por causa das contingências de mercado, acabou por ser retalhada sem dó nem piedade.

Infelizmente não era este o fim que esperava. Mas continuo a confiar em Nolan e aguardo ansiosamente a extended version da trilogia em blu-ray, essa sim com as arestas limadas e uns acabamentos dignos do Palácio de Versailles.

A lenda não pode morrer assim.

***

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15 comentários

De andreia mandim a 07.08.2012 às 20:24

Na altura do visionamento disseram que a versão mais alargada (penso que de quatro ou cinco horas, se não estou em erro) levou os empresários a aplaudirem. Por isso, acredito veemente que valesse a pena e que esta última versão, mesmo que imperfeita, seja o retalho de algo muito melhor e maior.

Não achei um filme surpreendente como o anterior, mas não achei mau de todo, mais desajeitado, é certo...Contudo, concordo principalmente com esta passagem, também ela referida na minha crítica: "Há personagens que desaparecem e aparecem só para dar um jeitinho ao argumento, há estórias mal contadas, há lógicas questionáveis, há demasiadas elipses e, acima de tudo, há um twist completamente questionável que acaba por tirar a força a um personagem essencial na narrativa." . Penso que falas da revelação da personagem de Cottilard ser afinal a viã/filha, que acaba por tirar "força" e sentido à personagem de Bane...se for isso, estou em pleno de acordo. O twist aí caiu mal...

cumprimentos,
cinemaschallenge.blogspot.com

De JBM a 07.08.2012 às 21:05

Exatamente esse twist.

*contém spoilers*

Até aquele momento o Bane era o maior. Era assustador, poderoso, quase invencível - tirando a máscara, que deveria ter tido um destaque maior. Aquela história do puto que saiu da prisão era a do Bane e fazia todo o sentido que assim fosse. Foi um autêntico desperdício... A existir um twist deveria ter sido uma revelação gradual, que nos permitisse adaptar à nova condição dos personagens. Não se faz uma revelação daquelas a 5 minutos do filme para depois descartar o até-então-vilão, como se não fosse muito importante.

Foi uma pena.

De andreia mandim a 07.08.2012 às 21:17

Concordo plenamente. A 5 minutos do filme nem deu para o público sentir a Miranda vilã, que acaba com uma morte à novela...Ter um vilão como o Joker e depois começar bem com Bane, mas "matar" a personagem não foi uma decisão acertada, não senhor. Podia realmente ter resultado se houvessem indícios ou mesmo uma personagem menos bidimensional do que a que Cottilard mostrou ao longo do filme. Mesmo a relação entre a personagem dela e do Bale é muito às três pancadas...a morte dela chega-me a ser indiferente, seja para o bem ou mal, apenas me lembro de dar por mim preocupada em saber se o Bruce conseguia se safar...o que indica que a personagem dela não tem grande importância para o espectador no desfecho do filme.

cumprimentos,
cinemaschallenge.blogspot.com

De Anónimo a 09.08.2012 às 21:42

Não percebo a base da crítica para o plot twist. O twist não diminui a personagem do Bane (muito pelo contrário, mostra uma outra faceta da personagem). Só porque não é a sua origem, não significa que seja uma má decisão. O objectivo não era fazer com que a audiência se preocupasse com a Miranda, mas sim mostrar a sua relação com a Liga das Sombras e o seu interesse no gerador.

Resumidamente, foi um filme tão inteligente e bem construído como os anteriores.

De Hugo Gomes a 07.08.2012 às 21:54

Ainda não fiz a minha critica a este, mas devo dizer que senti o mesmo que tu. Tentei converter os defeitos e virtudes e também fiquei com duvida mesmo se vi realmente um grande filme. Não é o Dark Knight, mas admito que também não é de deitar fora, e tendo em conta o que anda por aí de adaptações de super-herois de BD, este até é um dos melhores do ano.

Quanto a Bane, sei que o que referes na tua critica e concordo a cem por cento, um twist decepcionante a um personagem tão promissor.

De Carlos a 08.08.2012 às 02:04

Eu acredito também que um director's cut, ou extended version, ou qualquer coisa assim vá ser melhor. Eu gostei do filme, mas realmente quanto mais pensamos nele, mais dúvidas temos sobre quão bom o filme realmente foi.. E eu gostei da voz do estilo da voz do Bane também :) E a Miranda.. bah, totalmente previsivel e lamechas..

De jonasnuts a 08.08.2012 às 09:52

Ah! Finalmente! Estava a ver que eu era a única pessoa do mundo que tinha achado o filme fraquito, desajeitado e altamente previsível, do princípio ao fim. Tirando o Gary Oldman, nada se aproveita.

De JBM a 08.08.2012 às 11:24

E o Michael Caine, que é sempre um senhor (apesar de ter desaparecido a meio só porque sim).

De jonasnuts a 08.08.2012 às 11:26

Sabendo à partida que os actores não têm de facto muito poder sobre os papéis que lhes são atribuídos...... não consigo perdoar ao Caine a participação naquela cena final tão pimba (assim, para não haver spoilers e quem já viu o filme, percebe :)

De JBM a 08.08.2012 às 11:28

Essa cena tem 5 segundos a mais. Deviam ter deixado à imaginação do pessoal. (ainda por cima o Nolan que gosta tanto dessas coisas)

De Loot a 08.08.2012 às 10:26

Concordo e lá está é aquele concordar triste, também queria que fosse melhor e infelizmente é o pior da trilogia. O Bane é o maior e depois deixa de ser, não se faz. Quero um Bane guerrilheiro a dar a cidade ao povo isso é que era.

O que me leva a pensar que mesmo a director's cut, por muito boa que seja, dúvido que consiga colmatar muitas das falhas do filme, mas é certamente algo a espreitar :)

De Cune a 08.08.2012 às 10:41

Também fiquei algo atordoado e sem reacção aquando o twist do vilão. Achei que tudo se estendeu de forma pouco corrida e repentina e, naquele momento, quase chorei pelo tempo passado anteriormente: Um filme de alta produção e que me estava a absorver até então. O Bane passou de vilão estrondoso a alguém sem qualquer relevância. O final foi bom, dentro dos parâmetros, mas também saí do cinema degustado de uma experiência que pedia por mais algum tempo para se redimir de alguns erros crassos para quase três horas.

Não esperava que a Anne Hathaway se saísse tão bem como Catwoman. Acabou por ser a personagem mais interessante. Deu-me vontade de aplaudir a meio do filme.

De Cune a 08.08.2012 às 10:58

Já agora, a extended cut vai sair com a versão blu-ray?

De JBM a 08.08.2012 às 11:26

Tendo em conta que o Nolan nunca lançou um extended cut (e de certeza que houve muitas cenas que ficaram de fora dos filmes anteriores) é pouco provável que venha com o blu-ray. A minha esperança é que lancem um pack com a trilogia, assim ultra-mega-reeditado à lá Senhor dos Anéis, que nos mostre mais qualquer coisinha. Mas não deve ser para já.

De Ricardo Souto a 08.08.2012 às 13:53

Grande filme! Só não é tão bom como o The Dark Knight porque, simplesmente, aquela personagem do Joker espetacularmente interpretada pelo Heath Ledger coloca a fasquia num patamar de tal modo elevado que só um outro vilão ao mesmo nível o permitiria alcançar. E, sinceramente, não vejo mais nenhum vilão no universo Batman que o consiga. De resto é um filmaço , com as surpresas habituais à Nolan , cenas de ação super realistas e personagens bem construídas.

Cumprimentos a todos os cinéfilos.

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