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Crítica: "Spectre" (2015), de Sam Mendes

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Não é fácil fazer um novo filme de Bond. Para além de competir com todo o cinema de ação, a saga compete com ela própria, numa luta constante entre os acérrimos imobilistas militantes e aqueles que exigem um Bond atual, com relevância social e cultural.

Em "Spectre" os produtores resolveram jogar pelo seguro e apostar novamente numa fórmula que tanto dinheiro deu em 2012, acabando por ignorar o essencial do filme anterior. "Skyfall" era para ser único. Uma primeira e última incursão ao passado do protagonista, preparando-o para um futuro onde Bond podia ser finalmente Bond porque já não tinha mais nada perder.

Os elementos estavam lá todos: o escritório do M, a introdução da Moneypenny, o regresso do Q. A era Craig estava desde 2006 a preparar-nos para aquele momento. O passado ficou encerrado e tinha chegado a altura de olhar para o futuro.

Ao voltar a bater na tecla no passado, tudo isto cai por terra. Criaram-se laços que a narrativa não pedia e forçaram-se relações que não se deveriam ter forçado. Ao tentar dar profundidade emocional complicaram-se processos que deveriam ser simples, tornando a narrativa num imenso remendo estrutural e comprometendo o entretenimento. 

Não tenho nada contra a continuidade entre filmes e acho que essa faceta deveria ser mais explorada no futuro. Mas terá de ser uma continuidade planeada e estruturada desde o primeiro capítulo. Não é com fotografias coladas em paredes que se unem capítulos.

O mais frustante é que "Spectre" consegue ser absolutamente brilhante em alguns momentos. O magistral plano sequência da cena pré-créditos, a forma como é criada a tensão entre Craig e Belluci, através um extraordinário jogo de luzes, e a perfeição clássica com que é filmada a misteriosa cena na sede da SPECTRE são alguns exemplos que mostram o imenso talento que está por detrás deste filme.

Infelizmente o resultado final acaba por ficar aquém das expetativas. Resta-nos a consolação de ser melhor do que o "Quantum of Solace".

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