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Crítica: "The Visit" (2015), de M. Night Shyamalan

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Cansado de ser um dos sacos de pancada favoritos de Hollywood, M. Night Shyamalan pegou na massa que amealhou a dar o nome ao vídeo das últimas férias da família Smith e resolveu voltar ao maravilhoso mundo do cinema independente.

O resultado é suficientemente sólido para virar algumas cabeças. Os miúdos têm piada, o mistério funciona (pelo menos durante a maior parte do tempo) e o realizador parece ter finalmente aprendido a não se levar demasiado a sério. É verdade que alguns dos tiques de "autor" continuam lá: o ritmo nem sempre é o mais eficaz e o maldito twist subnutrido teima em aparecer (caso se estejam a perguntar, o twist subnutrido é aquele que não é devidamente alimentado antes da revelação. Todo um clássico do storytelling do nosso amigo M. Night).

No entanto nota-se que é um filme com alma, feito em lume brando na cozinha da avó, sem a pressão de agradar à clientela e, sobretudo, sem o filho da mãe do chef estrangeiro que não saber fritar um ovo a gritar-nos aos ouvidos.

Da mesma forma que não se pode pedir o regresso imediato às medalhas a um campeão olímpico que passou os últimos anos aflito com o menisco, não se pode pedir ao M. Night Shyamalan que o "The Visit" seja mais do que aquilo que é. No fundo todos queríamos que fosse melhor. Um regresso em grande, daqueles em câmara lenta, ao som de Vangelis. Mas já nos podemos dar por feliz por não ser o "Diary of the Dead" (chiça!...).

Agora só falta que eles percebam que o found footage já deu o que tinha a dar. A sério. Parem com isso.

(***)

Blogue a 24fps que não necessita de óculos 3D. Online desde 2003.

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