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King Kong



"And lo, the beast looked upon the face of beauty. And it stayed its hand from killing. And from that day, it was as one dead."

Esqueçam o CGI, esqueçam que existem os cénarios azuis e os homens que passam semanas atrás dos computadores. Apaguem da vossa memória a imagem de um Andy Serkis vestido de verde com pequenas luzes brilhantes espalhadas por todo o corpo... Já nada disso importa. Sim, técnicamente este é um filme perfeito. Ponto final. Agora... que comece o espectáculo... e deixem-se simplesmente mergulhar na magia. Na magia de duas das mais belas histórias de amor que o cinema alguma vez contou.

E perguntam vocês: Duas histórias de amor? Sim... Duas. Ou não será amor o que sentiu Peter Jackson aos seus nove anos, quando testemunhou pela primeira vez o assassinato do monstro às mãos da bela? Uma história de amor tão intensa que só poderia culminar como culminou... com a rendição absoluta à beleza dos seus sonhos. O futuro pertence aqueles que acreditam na beleza dos seus sonhos... será que precisam de mais provas?

Cada fotograma respira amor. O amor que Peter Jackson sentia, e que fez questão de transmitir ao mundo.

A história é a conhecida de todos; uma fábula dos tempos modernos, onde os personagens são isso mesmo. Personagens. Pode-se acusar Jackson de os ter desenvolvido pouco. Muitos deles são meros estereótipos (o rapaz com um passado desconhecido, o capitão arrogante, o actor pedante e cobarde...), mas na minha modesta opinião, esse aspecto só vem a tornar o filme ainda mais mágico. (alguém alguma vez precisou de saber os problemas existenciais da Capuchinho Vermelho?)

As cenas de acção intercalam-se com os momentos de maior tensão emocional de tal forma que não damos pelo tempo passar. Os actores deixam de o ser e numa fusão perfeita, transformam-se nos personagens que lhes foram cuidadosamente destinados. E até ao último segundo, acreditamos na existência do monstro, que sendo mais humano que muitos humanos que nunca o foram, nos conseguiu fazer acreditar que o amor não é palavra... não... é o que está dentro da palavra. As mão encaixam-se, os extremos tocam-se, os olhares sentem-se, as frases nunca se dizem, mas ele está lá. É deslizar no gelo e não sentir frio, é estar sozinho sem nunca o estar.

A bela matou o monstro... mas não estaremos todos condenados à partida, quando descobrimos o que realmente está dentro da palavra?

(10/10)

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