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"El Laberinto del Fauno"



"Cuentos de hadas... ya eres muy mayor para llenarte la cabeza con tanta zarandaja"


Numa altura em que o género fantástico ganha um espaço cada vez maior no seio da sétima arte, é um prazer ver algo que, apesar de parecer saído de uma qualquer obra literária de Lewis Carrol ou Neil Gaiman, foi feita de raíz para o grande ecrã.

Guillermo Del Toro é o responsável máximo (para além de realizar, é também a mente por detrás do argumento) por este conto de fadas moderno, que combina a realidade com a fantasia de uma maneira prodigiosa. Del Toro conseguiu aquilo que Shyamalan tentou (e falhou) com "Lady in the Water": criar uma obra que é ao mesmo tempo actual e intemporal, factual e universal, bela e horrível, doce e cruel (sim, porque nem tudo são fadas neste conto, e há cenas, que pela sua violência, não são aconselháveis a todo o tipo de audiência).

Poucos são os aspectos que falham, por isso vou começar por esses: Por vezes as acções de Ofélia (a rapariga que se vê a balançar entre os dois mundos) são demasiado... irreais, digamos (alguém disse, uvas?), e há cenas e personagens fantásticas que mereciam ser mais desenvolvidas (mas isso também pode ser considerado bom, porque é sinal que neste filme há seres tão fascinantes que nos levam a querer saber sobre eles).

Tirando isso, tudo funciona na perfeição.

As representações são do melhor que o cinema europeu nos tem para oferecer. Bom exemplo disso é a incansável Maribel Verdú no papel de criada de Vidal, e o próprio Sergi López, no papel do paranóico e perturbado Capitão Vidal (que não deve nada a Amon Goeth do "Schindler's List").

Ao nível técnico esta película é um autêntico prodígio. A maquilhagem e direcção artística fazem deste um dos filmes mais belos a que tive o prazer de assistir (para isso muito contribuiu o aspecto orgânico que a escasssa utilização de CGI lhe confere)

Para além de tudo isto, temos ainda um conjunto de personagens verdadeiramente fascinantes, das quais destaco duas: O enigmático Fauno, um ser que tem tanto de amigável como de incómodo, que nos deixa sem saber ao certo o que esperar dele, e o Pale Man, o devorador de crianças, uma das tais criaturas que nos faz querer saber mais do seu passado.

Em suma, estamos perante uma obra que prima quer pelo seu lado artístico, quer pelo seu enorme conteúdo humano e moral, que ninguém deveria deixar escapar.

(9/10) * * * * *

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