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Transformers



"« More than meets the eye... ». That's a stupid line!"


Se há coisa que é socialmente aceite (quase como uma regra da cinéfilia do século XXI) é que Michael Bay é um realizador que não consegue fazer coisas mais profundas que, digamos, um umbigo. Para isso basta ver as suas tentativas frustadas com "The Island" e "Pearl Harbour". Se querem vê-lo a dominar deêm-lhe cenários milionários para ele destruir e, claro, coisas com que o destruir. É tão simples quanto isso.

Por essa razão não fiquei espantado quando vi o seu nome ligado a este projecto porque, sejamos sinceros, é o filme perfeito para ele. Um filme baseado num desenho animado criado para vender brinquedos de carros que se transformam em robots. Querem coisa mais básica que esta? Ficou claro desde o início que não há aqui nada para se levar a sério e que Bay tem aqui os seus brinquedos de destruição para fazer aquilo que faz melhor.

Ele próprio parece nunca se levar muito a sério e prova disso são as auto-referências ("Isto é 100 vezes mais fixe que o Armageddon" - diz alguém a certa altura) assim como as personagens intencionalmente estereótipadas - a começar por Shia LaBeouf na pele de um marrão marginalizado pelos colegas, com o qual demonstra todo o seu potencial para a comédia física. Gostei. Vamos lá ver como se porta no próximo Indiana Jones.

Claro que sendo filme de quem é tem que ter uma parte moralista completamente despropositada para mostrar que, para além de ser um tipo fixe, também se interessa pelos problemas profundos da humanidade. Mas felizmente essa faceta do filme não dura muito tempo e depressa se passa para o que interessa:...

... Os robots!! Para começar são o típico grupo de combate carismático ninja turtles style: o sensato, o fixe, o mal disposto, o sensível, unidos para combater o impiedoso vilão com uma forte tendência para deixas teatrais. É a eles que é entregue acção, e há que dizer que se portam muito bem. São as sequências de acção mais frenéticas e originais que veremos todo este Verão e é o verdadeiro incentivo a devorar baldes e baldes de pipocas (e a ficar com uma real dor de barriga...).

Não é um filme perfeito (longe disso), e por vezes deixa um sabor a pouco, mas é um dos blockbusters mais originais dos últimos anos com uma faceta cómica que me fez sair de lá francamente bem disposto (também saí de lá a correr para a casa de banho, mas isso foi porque insisto em beber aqueles copos de 1 litro de Pepsi)... e ... bem, é um filme daqueles que o Michael Bay sabe fazer.

Temos espaço aberto para um sequela... e a probabilidade de tal acontecer é muito elevada - já confirmada, aliás. Enfim... o costume. Nessa altura voltamos a falar.

(ah... e pensam que me esquecia dela? Nah... nada disso... E aproveito para deixar a questão: será que não é também ela feita em CGI?)

(7/10) * * *

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