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Elizabeth: The Golden Age



"By God, England will not fall while I am Queen"


É certo e sabido que as sequelas são na sua maioria (há honrosas excepções) piores que os originais. E quando o original dá pelo nome de "Elizabeth", a pressão torna-se quase insuportável.

Mas vamos começar pelo bom: há aspectos em que este filme supera (ou pelo menos iguala o original), embora esses aspectos sejam na sua maioria de carácter técnico. A fotografia é muito boa, com o ecrã recheado de cores saturadas que parecem saídas de uma pintura clássica. Tudo é épico (ou pelo menos, tudo pretende ser épico), do som ao guarda roupa. Aqui, a mais vulgar das cenas é filmada como se estivéssemos a assistir a uma obra grandiosa.

O outro aspecto positivo prende-se com a própria protagonista. Cate Blanchett arrebata para ela qualquer cena em que entre. Ninguém dúvida, nem por um segundo que seja que ela é uma rainha, e vou ao ponto de afirmar (castiguem-me porque vou pecar) que ela consegue ofuscar a interpretação de Judi Dench da mesma rainha em "Shakespeare in Love".

Agora, para além disso, tudo o resto falhou completamente. Supostamente deveríamos estar na presença de um thriller histórico-político-monárquico, tendo em conta que Elizabeth teve que enfrentar uma série de conspiradores que a queriam tirar do poder a todo o custo. Mas por alguma razão, os seus criadores acharam por bem dar menos importância a este aspecto da vida da rainha, e apostar mais em retratar uma espécie de amor proibido entre a rainha e o explorador/pirata Walter Raleigh (Clive Owen também ele cheio de carisma).

Num filme passado durante aquele que foi um dos maiores perigos que a Inglaterra enfrentou em toda a sua história, preferiu-se dar o protagonismo a um melodrama mal construído que poderia muito bem ter sido protagonizado por Bette Davis lá na década de 40. Aquilo que realmente interessa é reduzido a uma dúzia de cenas desconexas e estereotipadas, em que muitas vezes nem nos apercebemos bem do que se está a passar. Até o combate contra a Armada Invencível, o clímax de toda a história, parece uma brincadeira de banheira, acompanhada isso sim, de uma música bem épica, na tentativa de fazer de dar à cena uma epicidade que ela não tem.

No final nem Blanchett, nem Owen (e muito menos Geoffrey Rush, que foi completamente subaproveitado) conseguem salvar este filme da mediocridade. O que é uma pena, diga-se de passagem...

(4/10) * *

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