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Pixar for kids


Mesmo que tenha sido com Cars que a Pixar mais perto esteve de falhar, a empresa do Luxo Jr. vai voltar a arriscar no franchise do Lightning McQueen.

E sabem porque? Cinco anos depois da estreia, o merchandising de Cars continua a fazer entrar grandes quantidades de dinheiro nos cofres da Pixar. Para os petizes, Pixar é Cars e Toy Story. Ponto.

E seja como for, pode até não vir a ser um Toy Story 3 ou um Up, mas acredito suficientemente na Pixar para saber que Cars 2 vai ser um filme mais do que decente.

Ah, e fiquem com o novo trailer divulgado durante o Daytona 500.

Adeus parceiro.



Toy Story 3 é amargo e impiedoso. Arremessa-nos cruelmente contra o passado, rasga-nos o peito e arranca-nos o coração. E o pior é que faz tudo isso com o nosso consentimento e da forma mais honesta possível.

No longínquo ano da graça de 1995, estreava nas salas norte-americanas um filme que viria a marcar uma nova era no cinema de animação. O primeiro Toy Story foi um pequeno prodígio animado, um buddy movie à maneira, que enaltecia o valor da amizade e da imaginação. Mas no meio de tantas cores garridas e gags divertidos, começava a formar-se uma ideia negra que viria a crescer e a contaminar o resto do franchise: o medo do abandono e da inutilidade. Woody viu na chegada de Buzz - e na consequente ameaça de substituição - o primeiro indício do fim de uma era (a metáfora perfeita da mudança de paradigma e da substituição dos heróis: o cowboy deu lugar ao astronauta). Nessa altura foi fácil aliviar a tensão e dar um final feliz à coisa. Afinal de contas, Andy ainda era uma criança e os brinquedos ainda tinham muito anos de brincadeiras pela frente.

No entanto a ideia persistiu e acabou por ganhar uma outra dimensão (mais evidente, mais cruel) em Toy Story 2. Jesse, a simpática cowgirl, protagoniza o momento mais dramático da saga (até então!) com a canção When she loved me. Estávamos perante uma inevitabilidade: as crianças cresciam e os brinquedos ficavam na mesma. Era uma realidade contra a qual Woody, Buzz e os amigos não podiam lutar. No entanto, e mais uma vez, a Pixar resolveu adiar a questão. Andy continuava a ser um petiz. Havia que aproveitar até ao fim...

Mas chegámos a 2010 e era impossível continuar a adiar o inevitável. Toy Story 3 não está com rodeios e desde o início demostra que está aqui para arrombar o nosso baú das recordações. A magnífica sequência inicial, plasmada da sequência inicial do primeiro filme, é abrutamente interrompida por uma elipse que nos transporta até aos dias de hoje onde os brinquedos planeam intricadas operações "militares" apenas para que o seu dono repare que eles ainda existem. O primeiro de muitos murros no estômago que nos vão deixar completamente atordoados.

Toy Story 3 está recheado de grandes personagens com personalidades entranháveis, com as respectivas taras e manias. Talvez por isso, seja tão fácil criar um argumento emocionalmente tão denso e poderoso, que nos leva a duvidar e a temer pela vida dos "nossos amigos" (o último terço do filme é a melhor lição de storytelling clássico que podem ter no que vai de ano).

Claro que tem os habituais gags patetas e uma paleta de cores primárias invejável, capaz de agradar aos mais petizes. No entanto, o verdadeiro público de Toy Story 3 não são as crianças. Sou eu, és tu, é esse gajo ali sentado do teu lado. São todos aqueles que um dia construiram universos imaginários com a ajuda de pequenos amigos de plástico e que olham para esses tempos com o olhar cansado e cinzento do presente.

Não existem filmes perfeitos, mas felizmente existe a Pixar.

 

* publicado originalmente a 01 de Agosto de 2010

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