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CINEBLOG

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James Franco contra o mundo.

 
Depois de Slumdog Millionaire, o realizador Danny Boyle regressa aos Óscares com 127 Hours. Ainda traumatizado pelos resultados de 2008, a primeira pergunta que me ocorreu foi: estaremos perante outra estopada visual monumental? Depois pensei: vá, acalma-te J.B. Estás a ser injusto. Afinal de contas este senhor esteve por detrás de Trainspotting e 28 Days Later. Vamos lá dar uma oportunidade ao senhor. Antes que tivesse tempo de me lembrar do The Beach fugi para o cinema mais próximo.


Boyle não tem pressa de começar. Os primeiros minutos são usados para caracterizar convenientemente o cenário e dar algumas pistas sobre a personalidade do personagem principal (um alucinado mas simpático aventureiro) ao mesmo tempo que o espectador se vai habituando ao estilo visual muito próprio do realizador. Passado o primeiro quarto de hora acontece aquilo que todos esperávamos e começa a corrida contra ao tempo.

O grande problema é que Boyle não se limita a contar uma história de sobrevivência. Resolve transformar a dita cuja numa espécie de experiência visual em que somos convidados (ou melhor, obrigados!) a visitar a vida e a psique do protagonista. Mais uma vez Boyle saca do baú um conjunto de artimanhas visuais epiléticas (e completamente indispensáveis) e resolve brindar-nos com um subproduto indefinido de qualidade duvidosa. Se não fosse por James Franco, estava bem lixado.

O ator puxa de todos os seus galões e contra tudo e contra todos (Danny Boyle incluindo), consegue arrancar uma interpretação fantástica que resgata o filme dos efeitos nefastos dos disparates inventados por um realizador mega barroco. Sentimos verdadeiramente a dor de Franco, pensamos como ele, tentamos descobrir a melhor maneira de o tirar daquela situação. Deixou de ser um simples personagem e transformou-se no nosso melhor amigo. Não é um ator a representar Hamlet ou qualquer outro personagem inalcansável. É um ator a representar o nosso vizinho do lado e consegue fazê-lo com uma eficácia incrível.

Se Danny Boyle tivesse errado no casting, possivelmente 127 Hours nunca teria passado dos MTV Movie Awards. Com James Franco, não só chegou aos Óscares com se tornou num dos filmes mais inspiradores e humanos do ano.

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