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"Babel"



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Forçado. Essa é a palavra que melhor descreve "Babel", um filme que pretende falar das várias formas de comunicação humana. Forçado na mensagem e principalmente forçado na estrutura.

Enquanto que os filmes anteriores da dupla Iñárritu/Arriaga possuiam uma argumento com ligações quase orgânicas, tudo neste filme soa forçado. Tal como nos anteriores, estamos perante um filme mosaico, com quatro histórias que se ligam entre si. Mas reparem só a fraqueza destas ligações:

Primeiro temos dois miúdos marroquinos que disparam "inocentemente" sobre um autocarro de turistas. Depois temos um casal de turistas americanos de viagem a marrocos com problemas conjugais (que são obviamente esquecidos quando um deles é atingido por um tiro acidental - já se pode imaginar por quem). Nos Estados Unidos, os filhos desse casal são levados ao México pela ama - que por sinal está ilegal no país - que não quer perder o casamento do filho (claro que ao tentar voltar aos states vai ter problemas). E uma última história, que parece aqui metida só porque os filmes com surdos-mudos normalmente ganham prémios, conta a história de uma japonesa surda-muda que quer tenta a todo custo encontrar um companheiro. Ora, a verdade é que apesar de tudo esta última história é provavelmente a mais interessante, quer a nível de conceito quer a nível de mensagem, mas... quando se sabe que a única ligação com as restantes está no facto de ter sido o pai dessa japonesa que há muitos anos, numa viagem a marrocos, deu a arma usada no acidente que sofreu o casal americano, a um marroquino, as coisas deixam de parecer tão interessantes, não é?

Em primeiro lugar: Bolas! Ninguém pode ter tanto azar como esse casal americano! Os casos que fizeram filmes como "Amores Perros" e "21 Grams" tão especiais e emotivos, aqui não conseguem deixar de parecer uma fraca tentativa de apelar ao sentimentalismo, emulando situações e relações que têm muito pouco de natural (o que deveria ser um dos pré-requisitos, de um filme que pretende ser um exercício sobre a condição humana).

A dupla de criadores parece querer apenas repetir a fórmula anterior, sem nunca se preocupar realmente com aquilo que tenta narrar. Mesmo sendo um filme original (pelo menos oficial), sofre daquilo a que se pode chamar de síndrome da sequela: estrutura semelhantes, planos semelhantes, argumento relativamente semelhante, mas sem a sinceridade do original. E isso, nem um elenco competente (se bem que visivelmente sub-aproveitado e nunca realmente digno de um Óscar) consegue recuperar.

(6/10) * * *

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