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Ratatouille



"... a great artist can come from anywhere."


Bem pessoal, isto é simples: acabei de ver a última pérola da Pixar e apenas vos posso dizer que ainda há esperança para o mundo.

Mais uma vez a "Pixar" não nos desiludiu e conseguiu um bonito 8 em 8! E, embora pareça um mistério para as suas concorrentes (*cof "Dreamworks" *cof), a sua fórmula é muito simples e está de certa forma presente na mensagem neste filme: não subvalorizar intelectualmente o seu público.

Sim, isto pode parecer um choque para alguns criadores de animação, mas as crianças interessam-se por algo mais do que funções orgânicas, os adolescentes não precisam de referências à cultura popular para apreciarem um filme, e, acima de tudo, qualidade e popularidade não são conceitos impossíveis de unir.

Em "Ratatouille" acompanhamos a estória de Remy, um rato com um grande olfacto (uma espécie de Jean-Baptiste Grenouille mas sem aquela coisa aborrecida que é ser psicopata) que lhe dá uma grande vantagem na cozinha, e Linguini um zé ninguém desajeitado que é o oposto do seu amigo peludo no que a cozinhados diz respeito mas para quem o destino planeou grandes coisas. Quando os dois se conhecem a magia acontece.

A Pixar resolveu não fazer falar Remy (ou melhor, falar fala, mas os humanos não o percebem) o que transformou a sua relação com Linguini em algo muito especial, que originou grandes momentos de humor físico.

Como acontece em todos os filmes da produtora, aqui os personagens existem - quer dizer, não existem no sentido literal da coisa, mas poderiam existir graças à sua complexa e carismática caracterização. Os filmes da Pixar tem algo diferente, pode-se chamar alma ou coração (ou oregãos), mas a verdade é que - e eu sei que isto é um cliché mas paciência - faz-me sentir o mesmo que sentia quando era puto e via os velhos clássicos da Disney. Simplesmente não podemos deixar de chegar ao fim completamente arrebatados pela mestria na arte de contar histórias que nos aquecem involuntariamente o coração (como a explêndida transformação Grinchiana do crítico gastronómico) e nos fazem rir (ou pelo menos sorrir) durante todo o tempo.

Em relação às vozes, não é suposto estas terem mais protagonismo que os personagens. As vozes servem para dar vida, e quanto mais anónimas forem, melhor. Aquela mania recente para os lados de Hollywood de se escolher grandes estrelas para darem a voz aos filmes animados tem atingido contornos alarmantes e completamente despropositados. Felizmente que aqui não aconteceu tal coisa. Os actores são de um modo geral desconhecidos do grande público (tirando Peter O'Toole, mas esse é um grande senhor, e com os grandes senhores sabemos com o que podemos contar) e tal facto não poderia funcionar melhor para o filme, transmitindo-lhe uma honestidade e valor pouco habituais.

Em suma: esta é a habitual bolha de oxigénio a que a Pixar nos habituou por estas alturas em que as salas são invadidas pela mais rotunda e orgânica caquinha. E só lhe temos que agradecer por isso.

(9/10) * * * * *

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