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Expiação: s.f. acto para aplacar a divindade; penitência



É exactamente por culpa de filmes como este, que aqui há uns tempos deixei de dar pontuações. Sim, eu poderia atribuir uma nota, mas nunca ficaria totalmente satisfeito com ela. A quantidade de sensações que o filme me desperta é tão variada que não as poderia definir com um número.

Mas comecemos pelo princípio. "Atonement" tem dois momentos bem distintos:

Na primeira parte estamos perante um filme de época à la "Pride and Prejudice". Aqui os protagonistas são as inquietações sociais de uma família da alta sociedade britânica. É tudo muito bem filmado, os cenários e a fotografia são exemplares, mas, a verdade é que é extremamente aborrecido. Embora se assemelhasse à típica narrativa de Jane Austen, falta-lhe uma certa "chispa". Algo que nos mantenha interessados durante o tempo todo. Ocasionalmente lá acordamos (e o que víamos era muito bom), mas... não era o suficiente.

Quando começamos a pensar que o trailer nos enganou, é então que começa a segunda parte. E para bem de todos, diga-se de passagem.

Deixamos o terreno de Austen e entramos em algo que toca no campo da tragédia épica em tempos de guerra. Uma espécie de "The English Patient", magistralmente filmado e interpretado e com um desfecho poderoso vem dar todo um novo sentido à primeira parte.

A partir daqui a Keira Knightley pouco se vê, mas quando aparece nem reparamos que esteve tanto tempo fora do ecrã. Temos aqui uma verdadeira actriz dramática. Transmite de forma exemplar as sensações e dúvidas que o seu personagem está a viver, e por momentos esquecemo-nos que estamos perante a mesma actriz de coisas como "Bend it Like Beckham".

Por outro lado é nesta parte que temos a oportunidade de ver a força de James McAvoy que transpira carisma por todos os poros. Este moço é para mim o actor revelação do ano, nem mais nem menos.

Em relação às crianças, o destaque vai, como não poderia deixar de ser, para uma moçoila de 13 anos de nome Saoirse Ronan. Ela é tão bem sucedida a interpretar as dúvidas existenciais e a pôr em prática as decisões duvidosas de Briony Tallis - personagem que aparece retratada através de 3 gerações de actrizes - que não consigo imaginar nenhuma das outras actrizes quando penso no personagem.

Em suma, temos aqui um belo filme.

Não creio que tenha a força suficiente para levar para casa o Óscar. Aquele começo algo tremido não ajuda as coisas. Mas isso não é o suficiente para que deixe de ser considerada uma obra de qualidade superior, magistralmente filmada e interpretada.

Um pequeno conselho: estejam atentos a uma verdadeira lição de "como realizar um épico", no momento em que McAvoy chega à praia francesa de Dunquerque.

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