Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

CINEBLOG

CINEBLOG

Paul T. Anderson e o petróleo



Para além de um filme sobre a obsessão e os limites da razão humana, "There Will Be Blood" é sobretudo uma reflexão implacável sobre as raízes dos Estados Unidos da América, enquanto força económica e país de estreitos valores religiosos.

Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) representa o poderio económico e o capitalismo sem escrúpulos, enquanto Eli Sunday (Paul Dano) é a moral hipócrita e a fé personificada. Quando estes dois se conhecem tem início o confronto mortal entre estes dois egos e estas duas concepções da sociedade.

Se foi sobre este dois pilares que os states foram criados, então  a visão de Anderson não poderia ser mais negra. Tanto um como outro estão longe de ser boas pessoas. São corruptos que visam apenas consolidar o seu poder, seja de que maneira for.

Se partimos deste conceito podemos tirar toda uma série de ilações sobre o desenlace final (de uma simplicidade e profundidade arrebatadoras) e projectar nele várias teorias sobre a essência da nação norte-americana em geral e da alma humana em particular.

Como filme, de um modo geral, tudo resulta muito bem. É uma obra magistralmente filmada, sem grande pirotecnia e aparato, que faz uma utilização exemplar da sua banda sonora (os cerca de 20 minutos iniciais, nos quais não há um único diálogo, são um bom exemplo disso).

No entanto, e tal como acontecia em "Magnolia", o filme é demasiado longo e há cenas realmente dispensáveis que acrescentam muito pouco à mensagem geral do filme (como toda a questão do irmão do personagem de Day Lewis). O aspecto do tempo continuar a ser algo que PTA não domina muito bem: ou acaba abruptamente ("Punch-Drunk Love") ou então estica-se até ao limite.

Por parte dos actores, só posso falar em dois, porque basicamente estes relegaram para o anonimato qualquer desgraçado que tentasse partilhar o ecrã com eles. Falo claro de Day Lewis e Dano. Se a representação do primeiro (que entrou praticamente em todas as cenas deste filme de quase três horas) foi mundialmente aclamada, não posso deixar de lado Paul Dano, cuja ausência na categoria de "Melhor Actor Secundário" é provavelmente a maior injustiça dos Óscares deste ano. O perturbado adorador de Nietzsche de "Little Miss Sunshine" tem aqui o seu primeiro grande momento de glória. Fiquei francamente arrebatado com este moço.

Quem diria que a tagline de "Saw II" poderia servir de título a um filme assim, hein?

3 comentários

Comentar post

Siga-nos:

Blogue a 24fps que não necessita de óculos 3D. Online desde 2003.

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.