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Sobre Óscares e previsões

Não gosto de previsões. Nunca gostei. É uma mania minha. Desde pequeno que me pedem para prever coisas. Que aborrecidos. "Em quanto achas que vai ficar o Benfica-Sporting?", "Quem achas que vai ser o Presidente da República?", "Quando tempo achas que vão durar as salsichas depois de abertas no frigorífico". É uma coisa abominável. A pessoa depois fica responsável por aquilo que "prevê" e se por acaso não acerta não pode evitar um certo embaraço social.

Se ao menos as previsões dependessem de factores estáveis nem me importaria muito de ficar responsável por elas. Afinal de contas bastariam uns cálculos para se estar mais ou menos certo. O problema está em que o campo da "previsão" roça os limites da física, chegando por vezes a ser confundido com a prática da "adivinhação", actividade que envolve bolas de cristais e entranhas de animais de quinta.

Aqui há um tempo perguntaram-me quem é eu achava que ia ganhar o clássico Sporting-Porto (ou terá sido Porto-Sporting?). Eu disse peremptoriamente que achava que a vitória iria para o Sporting, e justifiquei dizendo que ganhava sempre o que estava em pior forma. Por acaso acertei, mas em que dados concretos me baseei, para além da pura lógica metafísica do "ganha quem está pior"? Se fosse pela razão, analisando os dados de jogo, o momento de cada equipa, e todos esses dados palpáveis, teria falhado redondamente a previsão.

Ora com os Óscares passa-se exactamente o mesmo. A Academia tem caminhos insondáveis. Num ano ganha quem merece (o que se está a tornar cada vez mais raro) e no outro os membros do júri fazem uso de toda uma série de estatísticas cinematográficas, relacionadas com a carreira e prestígio dos actores ou com o tema implícito à gala (tema esse que embora não seja oficializado é facilmente reconhecível - lembram-se do ano que ganharam dois actores negros?), para legitimar a atribuição dos prémios, o que torna tudo cada vez menos credível.

É certo que a própria crítica cinematográfica está longe de ser uma ciência exacta e que vale pela sua pluralidade de opiniões. Mas... como é que eu poderia confiar numa cerimónia que nunca atribuiu o prémio que lhe era mais do que merecido a Alfred Hitchcock?

Não quero com isto dizer que amanhã à noite não estarei colado ao ecrã para ver se o prémio vai para "There will be blood" ou "No country for Old Men" e para me rir quando o vencedor for "Juno". O que se passa é que este ano não irei estar com previsões e vou apreciar a cerimónia tendo em conta unicamente aquilo que ela vale: Um espectáculo televisivo que pretende apenas quebrar a barreira da indiferença nos espectadores e dar um bom tema de conversa na manhã seguinte, mesmo que isso seja feito através de twists que não lembrariam nem ao Shyamalan.

Seja como for, e porque em cada um de nós há um vidente, aqui ficam as previsões do pessoal da tabela do mês que eu muito estimo:

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