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Juno... Palavra pequena, fofa, fica no ouvido, não fica?



É certo e sabido que ultimamente a Academia de Hollywood tem-se dedicado a introduzir entre os tubarões do costume pequenas peças cinematográficas, aparentemente banais mas recheadas de boa onda e principalmente boas ideias.

Não sei porque o fazem. Há quem diga que é para atrair a atenção do público mais alternativo. Eu gosto de acreditar que o fazem como uma forma de tentar ensinar um pouco de modéstia narrativa e contensão tecnológica ao seus rivais.

O segredo de um bom filme indie não é muito complicado. Peguemos numa bela colheita de personagens carismáticas cada uma com a sua tara (uma protagonista que é a versão adolescente do Dr. House, um namorado tansito viciado em tic tacs, uma melhor amiga cheerleader que nutre uma paixão especial por professores anafados, uma dona de casa desesperada...), juntemos-lhes uns diálogos que lhes façam justiça com muitas e saudáveis referências filosóficas da quotidiano, uma banda sonora porreira e uma realização confortável e dinâmica.

"Juno" tem tudo isso na dose certa. É uma obra inteligente, fofa e sofisticada. Já no ano passado aconteceu o mesmo com "Little Miss Sunshine", mas o filme deste ano tem a vantagem de ter no seu elenco uma grande pequena actriz de nome Elle Page, com uma presença e carisma capaz de encher meia dúzia de estádios de futebol.

Confesso, e agora tenho que ser sincero, que "Juno" foi um dos meus ódios de estimação pré-Óscares. Não que eu tivesse visto o filme. O meu preconceito baseava-se sobretudo nesse fenómeno que consiste num falso e pretensioso culto à volta dos underdogs e das referências mais obscuras, acompanhado por uma destruição indiscriminada de tudo o que é mainstream. Isso é uma realidade, e muitos dos "fãs" de "Juno" sofrem dessa pequena condição patológica. Mas o filme não tem culpa.

Agora que já o vi tenho que admitir que estava ser injusto. "Juno" não é uma obra transcendental e nem sempre segue pelos caminhos mais arrojados. Mas não há dúvida que à hora de sair da sala de cinema com um sorriso no rosto e uma boa disposição na alma, poucos são os que o fazem melhor.

P.S.: Isto já não tem nada a ver com filme em si, mas uma coisa que me deixou um pouco desconfortável foi a "irreverente" linguagem utilizada nas legendas. Parece que o argumentista dos "morangos" se lembrou de tentar a sua sorte como tradutor. Com as consequências que daí resultaram.

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