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CINEBLOG

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Mais cego é quem não o quiser ver

 
"Robert Neville? Onde estás?"


A humanidade não presta. Não há volta a dar. Em 1995, o colosso José Saramago "deu à luz", em forma de livro, uma cruel e apocalíptica alegoria sobre a condição humana, pondo em evidência a espessura frágil do manto que separa a sociedade da selva. Inevitavelmente, como em qualquer boa reflexão, o manto rasga-se. O responsável? Aparentemente uma cegueira branca de origem desconhecida que começa a propagar-se misteriosamente pelos cidadãos de uma cidade fictícia (será?).

O "filho" de Saramago chamava-se "Ensaio sobre a Cegueira" e rapidamente ascendeu às prateleiras destinadas às grandes obras da literatura mundial. Todos conhecem o estilo literário de Saramago e, goste-se ou não, seja-se da elite ou apenas leitor casual, todos estão de acordo que não é uma escrita fácil de digerir. Períodos longos, pontuação irrequieta, inúmeros saltos narrativos e reflexivos. Tudo o que o cinema não está acostumado a ser.

Talvez por isso, Saramago nunca tenha querido prostituir o menino dos seus olhos. Com os chulos de Hollywood todo o cuidado é pouco. Os sacanas ainda eram capazes de transformar os cegos em zombies e a cegueira numa arma biológica lançada por extremistas asiáticos.

Mas Saramago lá decidiu deixar o seu filho sair de casa. De Hollywood até vinham nomes de confiança. Fernando Meirelles tinha levado a estética MTV para as favelas (e as favelas até aos Óscares), e Don McKeller parecia ser um competente homem dos mil ofícios.


Texto publicado na íntegra aqui.

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