Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

CINEBLOG

CINEBLOG

O apresentador com pele de lobo

 

Texto publicado originalmente em Rascunho.net

 

Poderia ter vivido há 50 anos. Se tivesse compartilhado o grande ecrã com Clark Gable, Fred Astaire ou James Stewart, de certo que ninguém o estranharia. Há no olhar de Hugh Jackman - espelhado nos intensos olhos castanhos - o reflexo da Hollywood de outros tempos. Uma Hollywood onde o glamour era a palavra de ordem e as estrelas de cinema entidades intocáveis.

Ao longo dos últimos anos, a Academia tem tentado desesperadamente invocar o sentimento perdido desses anos dourados (provavelmente num esforço de legitimar a sua própria existência). No entanto, sempre lhe faltou algo: um mestre-de-cerimónias tão anacrónico como a própria ideia que serviu de base à Academia. Um verdadeiro host. O australiano Hugh Jackman é esse homem.

A crítica política de Jon Stewart foi posta de lado (reflectindo a mudança administrativa ocorrida nos próprios Estados Unidos) e deu lugar ao verdadeiro espectáculo, na acepção mais clássica da palavra.

Laurence Mark, o produtor responsável pela transmissão televisiva da 81ª edição dos Óscares da Academia, não tem dúvidas: Jackman foi escolhido simplesmente porque "queremos que a cerimónia seja divertida".

Jackman dança, Jackman canta, Jackman representa. Não esperemos, portanto, a típica abordagem humorista a que a Academia nos tem habituado. Os seus dotes artísticos já lhe valeram um Tony e um Emmy. É caso para perguntar: Para quando o Óscar?

De aspirante a jornalista a rei dos palcos

Filho de pais ingleses, Hugh Michael Jackman começou desde cedo a despertar para a representação. Ainda não tinha cumprido a meia década de vida e já fazia de Rei Artur em "Camelot". Os seus pais - sobretudo o pai, Chris Jackman, com quem viveria a partir dos oito anos, com mais cinco irmãos, depois do regresso da mãe a Inglaterra - sempre o encorajaram a desenvolver-se artisticamente.

Trabalhou numa bomba de gasolina enquanto tirava um Bacharelato em Comunicação. A ideia era ser jornalista. A representação falou mais alto.

Começou a ter aulas na Academia de Artes Performativas da Austrália Ocidental até 1994. Por essa altura o futuro era uma incógnita. "Depois de acabar o curso de representação vou dar tudo por tudo durante cinco anos. Se nada acontecer vou fundar a minha própria companhia de teatro, ou algo do género. Não vou estar toda a minha vida à espera que o telefone toque", disse há cinco anos à revista Interview.

Hollywood com garras e dentes

Não teve que esperar muito tempo. Quase imediatamente integrou o elenco da série televisiva australiana "Corelli", onde conheceu a sua futura esposa, Deborra-Lee Furness (com quem está solidamente casado desde 1996). Seguiram-se outras séries de televisão que ia intercalando com participações nas versões australianas de musicais como "Beauty and the Beast" e "Sunset Boulevard". Em 1999 foi considerado a Estrela Australiana do Ano, e nesse mesmo ano deu o salto para Hollywood.

Brian Singer viu-se obrigado a substituir a sua primeira escolha para Wolverine (o escocês Dougray Scott) a meio das filmagens de X-Men. Jackman candidatou-se. O resto é história.

No entanto, nunca esqueceu a paixão pelos palcos. Em 2003 estreou-se na Broadway com "The Boy From Oz", um musical que lhe valeu o Tony Award (os Óscares do Teatro norte-americano) em 2004. O encenador do espectáculo, Phil McKinley, considerou-o "o sonho de todos os realizadores".

O homem mais sexy do mundo


Mas o que o levou a representar? Jackman admitiu em 2004, ao MSNBC News, sentir um desejo em chamar a atenção. "Eu tenho a necessidade de ser respeitado pela pessoas… E tenho a certeza que problemas a esse nível", admitiu. Se ao menos a legião de fãs tivesse sabido disso mais cedo…

Atenção é precisamente o que não lhe tem faltado nos últimos meses. Em Novembro foi considerado, pela revista People, O Homem mais Sexy do Mundo. "Pelo menos dez pessoas mandaram-me fotografias minhas quando jovem, bêbedo e escreveram isto é que é o homem mais sexy?", revelou recentemente à agência AFI.

A esposa Deborra-Lee Furness considera-o "um romântico que canta baladas em casa e faz panquecas para os filhos [Oscar, de oito anos, e Ava, de três]", mas sobre a eleição brinca dizendo apenas que "obviamente Brad [Pitt] não estava disponível este ano".

Dias depois, foi escolhido para apresentar a gala de entrega dos prémios mais importantes da indústria cinematográfica norte-americana e tem ainda para estrear um filme a solo sobre o personagem que o lançou para o estrelato mundial ("X-Men Origins: Wolverine").

É caso para dizer que para Wolver… perdão, Hugh Jackman, o céu é o limite.

Siga-nos:

Blogue a 24fps que não necessita de óculos 3D. Online desde 2003.

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.