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Inception. Sonhar é fácil.


O verdadeiro mérito de Inception (e a razão pela qual está de pedra e cal no primeiro lugar do box-office norte-americano) está em conseguir regular a sua complexidade ao mínimo denominador comum.

Não é fácil lidar com sonhos sem se cair em produtos demasiado abstractos, ambíguos e com pouco apelo mainstream (tome-se como exemplo a filmografia de David Lynch). À primeira vista, a estrutura narrativa de Inception, subdividida em "níveis" de profundidade com planos espaciais e temporais distintos, poderia tornar-se num pesadelo de lógica caso tivesse caído nas mãos de um realizador menos "atencioso" (ou mais pretensioso, o leitor que escolha).

 

A possível desorientação do espectador é rapidamente corrigida a partir do momento em que todas as regras são explicadas (o que acontece durante a primeira meia-hora), acabando por tornar o filme numa experiência intuitiva e fácil de acompanhar mesmo por quem está menos habituado a este género de exercícios mentais. À excepção do prólogo, o realizador Christopher Nolan opta pela transparência, evitando a todo custo a tentação do tão popular twist (o que tendo em conta a temática até seria o caminho mais fácil a seguir).

Tecnicamente Inception é exemplar. É fácil ficar deslumbrado não só pelo que se vê mas também pelo que se sente (atente-se no contributo essencial do mago Hans Zimmer). Chris Nolan conseguiu criar o produto de entretenimento perfeito: acção inovadora (refiram-se as cenas luta em gravidade zero), um argumento sólido e engenhoso e uma mitologia/filosofia que dá pano para mangas (com direito a léxico próprio e tudo).

Não tem o subtexto social de um Dark Knight nem a a ingenuidade estrutural de um Memento, mas um blockbuster que não toma o espectador por burro é uma coisa rara nos dias que correm.

 

| Publicado em Rascunho.net

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