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CINEBLOG

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Previsão para o próximo inverno: frio, depressão e morte.


A segunda longa-metragem de Debra Granik é como aquele octogenário, solitário, que encontro todos os dias na paragem do autocarro. Tem as articulações doridas do frio e cada golfada de ar que inspira dura uma eternidade. Move-se lentamente, sem grandes rasgos de emoção e parece que todos os seus gestos fazem parte de uma rotina centenária. No entanto, tem alguma coisa que me intriga. Sei que esconde algo de interessante.

É assim o Winter's Bone, um dramalhão com tiques de noir saído do último Sundance. É um filme lento, pesado, com as articulações a estalar. Não é bonito. Fala de coisas feias, daquelas que não ficam bem no cinema. No entanto tem aquele magnetismo que não nos deixa afastar. Ao longo dos 90 minutos vai construindo a sua narrativa metodicamente, dominando quase na perfeição os mecanismos da espectativa.

A realização de Granik é eficiente (uma espécie de neo-realismo sulista) e a fotografia glacial de Michael McDonoug tem os seus momentos. Mas aquilo que realmente impressiona em Winter's Bone é a forma visceral, mas ao mesmo tempo natural, com que molda o ambiente onde a ação de desenrola. É como uma prisão natural de costumes onde os personagens não se desenvolvem - resignam-se.

Não é certamente uma obra perfeita. O ritmo lento não é para todos e tem alguns momentos narrativos incompreensíveis (há um em especial, extremamente pretensioso, que envolve um sonho a preto e branco em 4:3). Mas tem uma boa história para contar com personagens que precisam que cuidemos deles. Nem que seja só por hora e meia.

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