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Quem fala assim não é gago


Mais interessante do que fazer um grande filme a partir uma grande história, só mesmo fazer um grande filme a partir de uma curiosidade digna do Trivial Pursuit.

The King's Speech pega numa particularidade insólita de uma personagem relevante da história recente do Reino Unido, e transforma-a no ponto de partida de um pequeno tratado sobre a amizade e o poder da comunicação. O argumentista David Seidler construiu um conto meticulosamente equilibrado, salpicado de personagens entranháveis (apesar de ter também a sua quota parte de caricaturas) que assenta na luta de um homem contra uma incapacidade física e no poder da amizade nas relações entre classes.

Um dos grandes méritos de Tom Hooper, realizador nascido na televisão britânica, foi saber exatamente qual o seu lugar numa estrutura destas dimensões. Não foi exibicionista e soube deixar o caminho livre para os atores se exprimirem. Optou por planos abertos, com muitos espaços livres, criando um pequeno grande palco virtual onde Colin Firth e Geoffrey Rush nos brindaram com duas das mais brilhantes interpretações do ano.

Por outro lado, é impossível não ficar deslumbrado com o trabalho do diretor de fotografia Danny Cohen. Não estou a exagerar quando digo que 80 por cento dos planos deste filme podem ser perfeitamente usados como fundo do ambiente de trabalho.

Dito isto, concluo afirmando convictamente que considero The King's Speech o filme mais equilibrado do ano. Tecnicamente brilhante e recheado de grandes e bem dispostas interpretações, pode, no entanto, ser criticado pela academismo do seu realizador. Para mim essa passividade é um ponto de joga claramente a favor do bem geral da obra. Nem todos podem brilhar, por isso, à falta de génios que nos sirvam excelentes artesões.

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