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Source Code (2011), de Duncan Jones

Mesmo que ainda seja cedo para chegar a uma conclusão definitiva sobre o talento de Duncan Jones (lembrem-se do estado de graça de Shyamalan ao fim de quatro filmes e olhem para ele agora), não posso deixar de ficar impressionado com o início auspicioso da carreira de realizador do rebento de David Bowie.

Assim de repente, poucos são os elementos comuns entre Source Code e Moon, a primeira longa-metragem do realizador. Se no seu primeiro filme, Jones optou pela perfeição formal, com planos meticulosamente compostos, em clara sintonia com o classicismo de Kubrick, Source Code é muito mais um frenético Hitchcock do século XXI, que tanto pode ser comparado a Die Hard, pela crueza e sobriedade da ação, como com o clássico de Harold Ramis, Groundhog Day, pelo engenhoso set up e respetiva estrutura narrativa (e já que estamos a falar de influências é inevitável referir Quantum Leap, uma série do início dos anos 90 à qual Source Code foi buscar grande parte da inspiração e que tem direito a uma homenagem através de um interessante "cameo vocal".)

Colter Stevens (Jake Gyllenhaal) é um piloto da força aérea norte-americana que se vê envolvido num projeto militar que permite revisitar os últimos 8 minutos de um determinado incidente. Neste caso, Stevens é enviado para o corpo de um dos passageiros de um comboio que foi alvo de um terrível atentado terrorista e tem 8 minutos para descobrir o que se passou. À boa maneira dos videojogos, a sua participação no projeto assenta numa dinâmica de trial and error. Pode revisitar o cenário as vezes que quiser (digamos que tem Continues ilimitados) desde que no final descubra o que se passou.

Por muito complexo que possa ser o sistema que permite as viagens quânticas do protagonista (não são viagens no tempo, porque não pode se alterar o que já aconteceu), o argumento (numa manobra sensata) simplesmente está-se nas tintas para isso. Ao contrário de Inception (um filme que se pode inserir no mesmo género mas que opta por uma abordagem muito mais auto-explicativa), Source Code prefere omitir as explicações, o que acaba por reduzir consideravelmente as hipóteses de se contradizer. Sabemos apenas o essencial do conceito (vão ser feitas revelações, claro, mas nada que complique a perceção do espectador) e a partir daí é ver as peças a obedecerem a essas regras.

Desde o início que Jones consegue provar que conhece muito bem os mecânismos do thriller. Mal as luzes se apagam é criado imediatamente um clima de mistério e de extrema urgência que se vai desenrolando de uma forma inteligente e bem estruturada, sem se complicar em demasia e deixando sempre um espaço para que o espectador mais criativo possa divagar no micro universo onde decorre a ação (para isso muito ajuda a credibilidade e empatia dos personagens principais). 

É verdade que Source Code não é uma obra prima (tal como a Moon, falta-lhe aquele brilho narrativo para o elevar a um patamar de obra incontestável) mas vem provar duas coisas: se por um lado Duncan Jones ainda não tem um estilo definido (o que não é totalmente mau, pois revela humildade e progresso), é claramente um indício do talento do Ziggy Stardust Jr.

 

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