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War Horse (2011), de Steven Spielberg

Há décadas que Steven Spielberg é atormentado por um fantasma que insiste em lhe roubar o mérito e a credibilidade. Por muito que tente escapar - e na década de 2000 assistimos a um outro Spielberg, mais sóbrio, menos emocional - recai nos seus ombros a responsabilidade de ter criado essa entidade negra que atormenta os críticos de cinema um pouco por todo o mundo: o infame blockbuster.

No entanto, o que muitos parecem esquecer é que o Spielberg não pertence, nem nunca pertencerá ao lote de descartáveis como Michael Bay ou Brett Ratner. O cinema de Spielberg consegue mover multidões, é certo, mas fá-lo com uma pujança emocional e um domínio exemplar da linguagem cinematográfica que, mesmo que se notem a léguas os mecanismos que utiliza para nos manipular - a música que entra naquele momento tão oportuno, ou aquela câmara que teima em fazer um zoom direto à alma dos protagonistas - não conseguimos evitar mergulhar de cabeça no seu universo de emoções.

War Horse é isso mesmo: uma viagem a um universo recheado de personagens e emoções, por vezes cómicas, por vezes cruéis, exemplarmente colocadas em cena pelo realizador. Desta vez Spielberg trocou as praias e os campos de concentração da Segunda Guerra Mundial, pelas trincheiras da Primeira Guerra, usando um cavalo como fio condutor das várias estórias cruzadas. Para ajudar a recriar a beleza dos cenários rurais do interior da França do início do século XX, o realizador contou com a ajuda preciosa de Janusz Kaminski, o seu diretor de fotografia de estimação, que tornou este épico hípico num dos exercícios visuais mais bem conseguidos do ano.

Não é um filme de atores - a estrutura episódica do argumento não o permite - mas está recheado de secundários de luxo que acrescentam solidez e coesão a uma narrativa com algumas debilidades estruturais.

Bem sei que a lamechice já não está na moda. Mas eu, infelizmente, como lamechas incurável que sou, não posso deixar de recomendar este regresso de Spielberg aos velhos tempos - afinal de contas este homem é um dos grandes responsáveis pelas fortes doses de magia que pautaram a minha infância.

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