Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

CINEBLOG

CINEBLOG

10 anos de CINEBLOG

E pronto. Cheguei lá. Aliás, chegámos. Todos nós. Sim, porque, por razões óbvias, vocês também fazem parte desta entidade coletiva, orgânica e virtual, chamada CINEBLOG. Chegou a hora de abrir o champanhe: chegámos à primeira década de existência. 

Quando chego a esta data tenho sempre dificuldades em encontrar alguma coisa nova para escrever. No dia 11 de julho o meu cérebro é levado, invariavelmente, numa viagem até ao passado. Desculpem se me repetir, mas a viagem é longa e sabem como é díficil encontrar os 1.21 gigawatts necessários para voltar a meter o condensador de fluxo a funcionar.

Já escrevi por diversas vezes (aqui, por exemplo) sobre como a internet era diferente em 2003 e como tenho saudades da pequena família de blogues de cinema que, contra ventos, marés e icebergs, atravessou pela primeira vez o oceano inóspito da Internet em direção ao continente inexplorado que era a cineblogosfera portuguesa.

Nessa altura, os blogues eram pessoais e intransmissíveis e estavam cheios de reflexões e opiniões, quase todas com mais de 140 caracteres. As distribuidoras nacionais ainda não tinham descoberto as potencialidades dos blogues, nem a facilidade com que, acenando com um visionamento de imprensa ou com meia dúzia de passatempos, conseguem que adolescentes sedentos de atenção lhes façam a tão desejada publicidade gratuita. Hoje em dia vejo blogues que duram um mês e que acabam porque "as visitas não corresponderam às expetativas".

Amigos, dificilmente um blogue vos vai tornar ricos e famosos, muito menos um blogue de cinema. Se quiserem escrever sobre cinema são muito bem vindos. Mas façam-no, por favor, sem segundas intenções. Não se vendam às grandes distribuidoras nem se formatem à rotina. Melhor ou pior, escrevam aquilo que vos vai na alma. Quando as distribuidoras se fartarem, o que resta do vosso blogue?

Mas pronto. As coisas mudaram. É inegável. É uma evolução natural e longe de mim querer parar o progresso. Há dez anos seria impensável ler este blogue no telemóvel ou fora deste template. Agora tenho de pensar os posts com todos esses formatos e possibilidades em mente. A mudança também é divertida e cheia de desafios.

Daqui a dez anos espero estar aqui novamente, a elogiar a Internet de hoje e a criticar os avanços medonhos que o futuro nos reserva.

A todos os que me acompanharam nesta década um muito obrigado. Este blogue pode já não ter as atualizações diárias de outros tempos, mas continua aqui, de pedra e cal, recheado com os meus ódios, traumas e paixões.

Por um bilhete de cinema digno - Parte II

Na sequência do post de terça-feira, onde destilei, com relativa eficácia, o meu descontentamento sobre o estado lamentável a que chegaram os bilhetes de cinema, a Marina Aurora publicou na página de Facebook deste estaminé algumas fotos da sua coleção de canhotos.

São bilhetes com mais de 30 anos, que resistem estoicamente à inexorável erosão do tempo e aos próprios cinemas.

Estão a ver, pessoal da ZON ou qualquer outro cinema que tenha o hábito de entregar recibos do talho ao seus clientes? É disto que estava a falar.

Aqui ficam as fotos, com os respetivos comentários da autora.

"A "MINHA ESTRELA" a 1ª Mostra do Cinema Fantástico em 1981 no Carlos Alberto."

"Mais 2 Salas, também já desaparecidas do Porto, cujas cadeiras desciam quando nos sentávamos nelas, sendo que algumas, a certa altura, faziam uns ruídos que provocavam a gargalhada de muitos."

 

"O já "defunto" Pedro Cem" Sala extraordinária na Rua Júlio Dinis."

"E, para "Chatear" um conjunto dos muitos canhotos em meu poder e que religiosamente conservo, todos eles, no verso, referem o referido filme e com quem o fui ver! Excêntrica? Não sei, mas dava-me imenso gozo fazê-lo e agora sorrio ao recordar esses momentos."

E por último, como extra, aqui fica o bilhete que o Pedro, do inevitável CinemaXunga, publicou nos comentários ao post. 

Por um bilhete de cinema digno

Numa altura em que Portugal atravessa uma conturbada fase política e social, é meu dever, como pessoa que escreve coisas na Internet, chamar à atenção para as questões realmente fraturantes da nossa sociedade.

Já muito se falou, e continua a falar, dos méritos técnicos e sociais de assistir a um filme numa sala de cinema. No entanto, há um aspeto que foi perdendo destaque ao longo dos anos, empurrado sem dó nem piedade para um recanto obscuro da nossa memória coletiva, e que está destinado a desvanecer-se no tempo, como lágrimas à chuva.

Lembram-se quando era possível guardar orgulhosamente, durante anos e anos, aquele diminuto mas simbólico pedaço de cartão que atestava que se esteve naquela sessão e que foi uma das experiências mais espetaculares de sempre? Lembram-se quando um simples bilhete significava mais que todas as cassetes de vídeo do mundo? Pois parece que esse pedaço de memória está reduzido a isto:

Recibo do talho que nos querem fazer passar por bilhete de cinema.

 

O que raio aconteceu ao bilhete de cinema?

Desde quando é que nos contentamos com um recibo do talho, mal impresso, que se apaga em pouco mais de um mês? Não estará já na hora de devolvermos ao bilhete de cinema a importância de outros tempos?

Se estamos a pagar por algo cuja única recordação física é um pedaço de papel, o mínimo que poderiam fazer era dar alguma dignidade a esse pedaço de papel.

Os espetadores de cinema deveriam ser mais do que um código de barras.

Reflexão de fim de ano: ajudem-me a escolher os melhores do ano

Não há dezembro sem os habituais posts de melhores e piores do ano. É uma daquelas pragas que não se conseguem contornar. Se me quiserem dar uma ajudinha a escolher os musts do ano (como diriam no saudoso Templo dos Jogos) entrem na comunidade online do CINEBLOG no Google Plus (aqui), apresentem-se e digam-me quais os filmes que consideram como os melhores do ano (e já agora porquê).

Não quero deixar escapar nenhum mas a ressaca natalícia é tramada.

Atualização: Lembraram-me no Twitter que os melhores do ano aqui no estaminé chamavam-se Lobos de Ouro. Pois assim seja: ajudem-me a escolher os Lobos de Ouro 2012. E até já lhes fiz um poster, como era costume.

 

 

 

 

O videoclube em frente ao ciclo

Hannah Clendening.png

Foto © Hannah Clendening

Quando estava a tentar lembrar-me do código pessoal de um telemóvel que tinha arrumado numa gaveta, fui atingido por 4 algarismos certeiros, disparados a toda a velocidade do recanto mais obscuro do meu subconsciente. Não era o número que eu pretendia - esse continua perdido algures entre o id e o superego - mas acabou por revelar-se muito mais interessante. 5129: o meu número de cliente do videoclube em frente ao ciclo.

Foi com esse número que tive acesso, pela primeira vez, à trilogia original da Guerra das Estrelas, pouco antes de o Lucas a transvestir. Os filmes antigos custavam 200 escudos por dia e o mais recentes 350. Só dessa vez deixei lá 600 paus. Foram os três de enfiada e outros tantos pacotes de pipocas de micro-ondas.

Lembro-me de lá entrar com um grupo de amigos no final das aulas (ou no intervalo, tanto fazia). Lembro-me de passar horas a percorrer as centenas de capas plastificadas dos arquivos, sem conhecer metade dos filmes que ia encontrando. Mas não me importava. Era o prazer da descoberta, a magia de encontrar aquele diamante escondido, aquele filme que iria aconselhar até à exaustão no intervalo das aulas.

Foi lá que descobri, completamente por acaso, o SpaceBalls, muito antes de saber quem era o Mel Brooks, ou o que pensavam os utilizadores do IMDB. O meu IMDB era o Sr. Carneiro, o dono do videoclube. O Sr. Carneiro era um sujeito encorpado, alto, com uma voz poderosa que fazia estremecer as estantes a abarrotar de cassetes. Tinha uma filha que passava as tardes a ver filmes do Hugh Grant, mas acho que nunca soube o nome dela.  Era o Sr. Carneiro que me mantinha a par das novidades mais explosivas (se não fosse a tempo podería ter de esperar semanas para ver o último «blockbuster») e me aconselhava os clássicos verdadeiramente imperdíveis. Cheguei a alugar o mesmo filme 4 vezes num mês: o Regresso ao Futuro. Que outro haveria de ser?

De 3 em 3 meses os posters da montra eram renovados e os velhos eram deitados para um caixote do lixo debaixo das escadas. Curiosamente, estavam sempre impecavelmente enrolados, como se fossem ali arrumados provisoriamente, à espera dos novos donos que lhes iriam dar um lugar de destaque por cima da cama. Ainda tenho um atrás da porta do meu quarto na casa dos meus pais.

O videoclube em frente ao ciclo era muito mais do que uma loja de filmes. Era uma comunidade de pessoas vulgares que partilhavam a mesma paixão e se juntavam num espaço físico a discutí-la abertamente, sem pretensões de se tornarem críticos de cinema ou cineastas reconhecidos. 

Na altura, um filme não era apenas um ficheiro a ocupar espaço no computador, que não conseguimos ver até ao fim sem ir 14 vezes atualizar o estado do Facebook, ou ir ao You Tube ouvir aquela música que a protagonista está a trautear. Um filme era algo físico, palpável, que nos levava a viajar sem interrupções durante hora e meia por sítios onde nunca iríamos estar.

Claro que na altura não sabíamos isso.

Como viajar no tempo, o manual definitivo

Quer seja através de carro ou de cabine telefónica, as viagens no tempo são provavelmente o mecanismo narrativo sci-fi que mais tem fascinado leitores e espetadores dos quatro cantos do mundo (quem é que nunca pensou em voltar atrás no tempo e apostar tudo na Grécia no Euro 2004?).

O pessoal do Flavorwire.com editou um vídeo que recompila alguns dos momentos mais marcantes das viagens do tempo no cinema, com cenas que vão desde o Time Machine do George Pal, aos Cronocrimenes de Nacho Vigalondo, passando, claro, pelo Back to The Future.

Dêem uma vista de olhos . É fofo.

Nove anos de CINEBLOG

Se eu fosse um número não gostaria de ser um nove. Os noves são amorfos, pretensiosos e muito pouco criativos (no fundo não são mais do que seis invertidos). Apesar de estarem plantados no topo dos algarismos, como se o mundo fosse deles, são infelizes e insignificantes em comparação com os seus sucessores - quando finalmente chega a hora de um nove se mostrar ao mundo, já todos estão a pensar no 10, um número mais imponente e redondo, com os tão invejados dois caracteres (todos sabemos que tudo sai melhor quando é feito a dois).

No entanto, aqui está ele. O nove entrou finalmente na vida do CINEBLOG. São nove anos a falar de coisas qua acontecem dentro e fora do grande ecrã. Trailers, notícias, críticas e outras tralhas. No último ano consegui finalmente o domínio cineblog.pt e recuperei algum do ritmo perdido (dentro e fora da Garagem).

Daqui a um ano (se Deus quiser, claro) chego ao tão desejado décimo ano. Espero poder continuar a contar com vocês.

 

Siga-nos:

Blogue a 24fps que não necessita de óculos 3D. Online desde 2003.

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.