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The Hobbit: An Unexpected Journey (2012), de Peter Jackson

A minha relação com a trilogia do anel do Peter Jackson esteve longe de ser amor à primeira vista. Quando fui ver o primeiro filme ao cinema, decorria o ano da graça de 2001, achei-o um pastelão imenso, demasiado épico, demasiado longo e com as ideias pouco claras. Um ano depois tentei outra vez e a coisa já correu melhor. O segundo capítulo era mais negro, menos solene e sobretudo mais mexido. Não era o filme da minha vida, mas já conseguia perceber onde Jackson queria levar as coisas. Por isso, um ano depois, lá estava eu outra vez para ver como tudo iria acabar. Gostei mas não me encheu as medidas. Aquele final demasiado arrastado recordou-me tudo aquilo que não tinha gostado no primeiro capítulo.

Foi só uns anos mais tarde, em 2006, que revi pela primeira vez os três filmes no sossego do lar, sem pipocas à vista e sem ninguém a bater-me constantemente nas costas da cadeira. E então tudo ficou claro: o mundo criado por Tolkien (e pintado por Peter Jackson) é demasiado orgânico e complexo para ser revisitado parcialmente apenas uma vez por ano. Com hiatos tão longos, os pequenos detalhes que tornam a trilogia tão excecional e coesa perdem-se no tempo, ficando apenas uma mancha difusa de diálogos palavrosos e cenas de ação. A Terra Média de Peter Jackson é um mundo extraordinário, com cenários de cortar a respiração, um ambiente ímpar e personagens carismáticas.  Vive muito para além da estória que conta e é muito mais do que meia dúzia de chavões repetidos até à exaustão nos fóruns da especialidade.

Dizer que este Hobbit é mais do mesmo é o maior elogio que se lhe pode fazer. Sim, é um facto: é mais do mesmo. E então? Não seria bom regressar à casa de infância e encontrar tudo exatamente como recordam? Não apenas fisicamente, mas sobretudo emocionalmente: os mesmos cheiros, as mesmas pessoas, as mesmas emoções?

The Hobbit: An Unexpected Journey é isso mesmo: um regresso a um sítio onde fomos felizes e onde tudo está exatamente como nos lembramos. A nova aventura tem muitos paralelismos com os filmes anteriores, é certo, e provavelmente só existe para tentar explorar o sucesso da trilogia do anel (que outra justificação existe para dividir um livro tão pequeno em três filmes de três horas?). Mas foi tudo construído com uma atenção tão grande ao detalhe (os efeitos visuais fazem o James Cameron e os seus bichos azuis corar de vergonha) e, sobretudo, com tanto amor pela obra original, que é impossível não ficar novamente rendido aos encantos da Terra Média, que continua a supreender e a fascinar apesar da bagagem que carrega (alguém falou em gigantes de pedra?). Por outro lado, todo o trabalho de extensão do material de origem (foram-se recuperar personagens aos apêndices do livro e se estabeleceram pontos de contacto com a aventura do Frodo) foi muito mais complexo e digno de admiração do que simplesmente adaptar três livros em três filmes.

Da minha parte, que venham mais dois. E depressa.

****

P.S. Não o vi a 48fps por isso não me posso manifestar sobre o assunto. Mas tendo em conta que os filmes da minha vida foram vistos até à exaustão em cassetes VHS gastas, não é nada que me tire o sono.

Blogue a 24fps que não necessita de óculos 3D. Online desde 2003.

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