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CINEBLOG

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Interstellar (2014), de Christopher Nolan

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Depois de ter sido tantas vezes acusado de não saber filmar sentimentos, Chris Nolan tenta provar em quase três horas que o amor é o que faz o universo funcionar.

Como três horas ainda é muito tempo (pelo menos enquanto mantivermos os pés assentes no nosso pequeno planeta azul), Nolan trocou a autoestrada pela estrada nacional e aproveitou para apreciar as vistas e comer um cozido no Canal Caveira.

Através de uma estrutura narrativa bem definida (provavelmente os três atos mais óbvios da sua filmografia), Nolan reflete sobre o que nos faz humanos, o nosso papel na sociedade, aquilo que seríamos capazes de fazer em condições extremas e o amor em geral. Nenhum dos temas é especialmente original no cinema mainstream, mas o tratamento Nolan eleva-os da mediocridade a que estamos habituados.

Lá pelo meio vai brincando com conceitos quânticos de encher o olho (apesar de não conseguir fugir de alguns paradoxos capazes de levar à destruição da nossa galáxia), com a ajuda de um Matthew McConaughey em grande forma e de um monolito cheio de personalidade.

Visualmente poucos foram capazes de mostrar o espaço desta maneira. O universo deixou de ser o habitual imenso vazio para se transformar num perigoso oceano habitado por adamastores quânticos. 

Mas como Nolan é Nolan, também não faltam os inevitáveis excessos expositivos - como se se visse obrigado a explicar constantemente o que se está acontecer, não vá o diabo tecê-las - e alguma atrapalhação narrativa quando tenta cortar as pontas soltas. 

Talvez seja demasiado metódico e calculista para algumas ambições emocionais, mas é um tipo corajoso e talentoso que quando acerta, acerta em cheio. Talvez por isso as suas falhas deixem um sabor tão amargo.

Felizmente isso não acontece muitas vezes.

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